A chegada dos primeiros (1)
Setembro de 2008. O novo exuberante, ainda não concluído, recebe os primeiros moradores. Faxina geral no andar a minha vista. Um colorido cansativo toma conta da minha visão. Mas é deles afinal. Gosto não se discute. Passos para lá e para cá dos novos condôminos indicam que já vieram pra morar. Crianças nesse andar. Bolas de encher, vermelhas e brancas, na escada que leva ao andar de cima. Tudo combinando com a parede vermelha do mezanino e com alguns móveis com almofadas vermelhas e cortinas vermelhas!!!!
Penso aqui da minha janela que devem estar comemorando a chegada no prédio ou é aniversário da menina que, no seu espaço, tem cortinas vermelhas. É vermelho demais para o meu juízo, mas eu não tenho nada a ver com isso. Nem com a rede que tem no quarto do casal, vermelha! Esses também já devem estar imaginando coisas a meu respeito. Lembro de quando era criança, que todos os meus objetos pessoais , além dos brinquedos, eram vermelhos. A escova de dentes, a escova de cabelos, a roupa da boneca nova, o “velocípede”. O vermelho era a minha cor, mas ali na minha frente, é demais da conta.
Mais acima, outros movimentos de limpeza e pintura, aguardam a chegada de mais alguns. Esses bem que poderiam estar à altura da minha janela. Tudo muito branco, como eu gosto hoje, com lustres fantásticos, sinalizando que vem bom gosto por aí. Deles terei pouco acesso. Tenho que olhar o lado positivo disso – vão imaginar menos a meu respeito também. Isso é um alívio, de certa forma. Tornar explícita a minha solidão para os novos vizinhos incomoda demais a minha condição de vivente e de vizinha sozinha, ainda que curiosa. Também eles sabem que sou uma solitária porque vêem que ninguém mais freqüenta a minha janela, além de eu mesma, a não ser em raras ocasiões, quando recebo visitas, ou nos dias de faxina, quando tenho a certeza de companhia.
Tenho a minha York, mas eles não sabem que tenho a companhia dela. Amiga de todas as horas, não consegue alcançar a minha janela. O mundo dela é ainda mais limitado que o meu. A visão dela nunca alcançou o por do Sol de antigamente. O novo exuberante não fez nenhuma diferença pra ela.
Dezembro de 2008. Enfeites foram colocados no andar de cores cansativas. As cores do Natal somam-se ao vermelho e às cores diárias daquele apartamento. A escada, que antes tinha bolas de encher, recebeu guirlandas iluminadas. Mas com os enfeites de Natal também chegaram cortinas brancas colocadas em todas as janelas do apartamento!! São de um tecido muito fino, mas já não tenho mais o mesmo acesso aos vizinhos vermelhos. O meu olhar curioso já está em busca de novos moradores...
Setembro de 2008. O novo exuberante, ainda não concluído, recebe os primeiros moradores. Faxina geral no andar a minha vista. Um colorido cansativo toma conta da minha visão. Mas é deles afinal. Gosto não se discute. Passos para lá e para cá dos novos condôminos indicam que já vieram pra morar. Crianças nesse andar. Bolas de encher, vermelhas e brancas, na escada que leva ao andar de cima. Tudo combinando com a parede vermelha do mezanino e com alguns móveis com almofadas vermelhas e cortinas vermelhas!!!!
Penso aqui da minha janela que devem estar comemorando a chegada no prédio ou é aniversário da menina que, no seu espaço, tem cortinas vermelhas. É vermelho demais para o meu juízo, mas eu não tenho nada a ver com isso. Nem com a rede que tem no quarto do casal, vermelha! Esses também já devem estar imaginando coisas a meu respeito. Lembro de quando era criança, que todos os meus objetos pessoais , além dos brinquedos, eram vermelhos. A escova de dentes, a escova de cabelos, a roupa da boneca nova, o “velocípede”. O vermelho era a minha cor, mas ali na minha frente, é demais da conta.
Mais acima, outros movimentos de limpeza e pintura, aguardam a chegada de mais alguns. Esses bem que poderiam estar à altura da minha janela. Tudo muito branco, como eu gosto hoje, com lustres fantásticos, sinalizando que vem bom gosto por aí. Deles terei pouco acesso. Tenho que olhar o lado positivo disso – vão imaginar menos a meu respeito também. Isso é um alívio, de certa forma. Tornar explícita a minha solidão para os novos vizinhos incomoda demais a minha condição de vivente e de vizinha sozinha, ainda que curiosa. Também eles sabem que sou uma solitária porque vêem que ninguém mais freqüenta a minha janela, além de eu mesma, a não ser em raras ocasiões, quando recebo visitas, ou nos dias de faxina, quando tenho a certeza de companhia.
Tenho a minha York, mas eles não sabem que tenho a companhia dela. Amiga de todas as horas, não consegue alcançar a minha janela. O mundo dela é ainda mais limitado que o meu. A visão dela nunca alcançou o por do Sol de antigamente. O novo exuberante não fez nenhuma diferença pra ela.
Dezembro de 2008. Enfeites foram colocados no andar de cores cansativas. As cores do Natal somam-se ao vermelho e às cores diárias daquele apartamento. A escada, que antes tinha bolas de encher, recebeu guirlandas iluminadas. Mas com os enfeites de Natal também chegaram cortinas brancas colocadas em todas as janelas do apartamento!! São de um tecido muito fino, mas já não tenho mais o mesmo acesso aos vizinhos vermelhos. O meu olhar curioso já está em busca de novos moradores...
